quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A rosa intocável na redoma de vidro

Parece que os autistas constroem um mundo só para eles. Eles vivem entre nós, ouvem tudo o que acontece e falamos, porém, simplesmente ignoram e se colocam em uma redoma de vidro, resistente a barulho e qualquer intervenção e ali vivem suas vidas. É como se fosse um mundo a parte, "vivam suas vidas aí e eu vivo aqui, no meu mundinho". Eles são tão acostumados com isso, que nem se importam. Já quem está de fora desse mundo, acha no mínimo curioso e consegue entender que o que se passa ali, à volta daquela criaturinha interessante, pertence só a ela e não existe convite para entrar.


O mundo dele é tão dele, que quando tento entrar e fazer uma "limpeza", ele simplesmente se revolta e coloca tudo de volta, conforme havia deixado. Claro que ele fica feliz quando eu limpo suas caixas de areia. Mas a caixinha com os panos onde ele dorme, toda manhã está toda fora do lugar. A caixa gigante que deu à luz um ar condicionado voou direto pro quarto dele e lá ele se esconde todos os dias. Eu limpo, coloco em um canto. No outro dia, se eu arredar a caixa, misteriosamente aparecerá umas gotinhas de xixi, que cuidadosamente ele marcou, como em outros lugares do quarto. Fora isso, quando ele sai do quarto, definitivamente não quer respirar o mesmo ar que o meu. Quer logo sair, ver as árvores, a grama alta, os pássaros - talvez correr atrás de alguns e se assustar com outros. Fica fora uma hora, duas, 3. Quatro horas depois estou aflita, desesperada... Onde está ele? E ele aparece, quando já havia me dado por vencida. Aparece sem reação alguma, como se estivesse fazendo um favor ou já tivesse voltado à tempos. Simplesmente se joga no chão e ali tira um cochilo, enquanto eu, a sua volta, faço o fundo musical melancólico (ou chato) daquele momento dele... "Você voltou pra mamãe! A mamãe tava preocupada! Não pode fazer isso meu gato! e Blá, blá, blá Whiskas sachê.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dia do Aspenger

   Hoje é o dia perfeito para aqueles que dizem "ele quase nem tem Autismo né" ou então, "ele não tem nada". São pensamentos assim que não contribuem em nada para um melhor desenvolvimento dos Aspenger, um sub-grupo dentro dos transtornos de espectro Autista. São pensamentos assim que não permitem que um Asp se torne um grande homem ou mulher, pois eles dependem da dedicação dos outros para receber um tratamento digno, respeitoso e aprender a conviver nesse mundo, que não cabe em sua cabeça porque ela já tem outro mundo, só dele, tenho certeza que mais interessante que o nosso. Essas pessoas que não sabem nada, não acham nada e em nada ajudam os Aspies, deveriam se informar e buscar conviver com um presentinho desses e aprender a amar, deixando o preconceito de lado. Para mim, quem negligencia um autista, seja qual for o grupo de autismo, deveria ir pra cadeia.

Meu mano e afilhado Gregory, Autista diagnosticado como Aspie


Para quem não sabe,
Síndrome de Asperger é uma síndrome do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. A validade do diagnóstico de SA como condição distinta do autismo é incerta, tendo sido aprovada a sua eliminação do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais" (DSM), sendo fundida com o autismo.
A SA é mais comum no sexo masculino. Quando adultos, muitos podem viver de forma comum, como qualquer outra pessoa, entretanto, além de suas qualidades, sempre enfrentarão certas dificuldades peculiares à sua condição. Há indivíduos com Asperger que se tornaram professores universitários.
Um dos primeiros usos do termo "síndrome de Asperger" foi por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma homenagear Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no DSM, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).
Algumas características dos Aspergers são: dificuldade de interação social, dificuldades em processar e expressar emoções (este problema leva a que as outras pessoas se afastem por pensarem que o indivíduo não sente empatia), interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças em sua rotina, pessoas desconhecidas, ou que não vêem há muito tempo, comportamentos estereotipados. No entanto, isso pode ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto.
Alguns estudiosos afirmam que grandes personalidades da História possuíam fortes traços da síndrome de Asperger, como os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, John Kimble e Wittgenstein, o naturalista Charles Darwin, o pintor renascentista Michelangelo, os cineastas Stanley Kubrick, Andy Warhol e Tim Burton, o cantor britânico Gary Numan e o enxadrista/xadrezista Bobby Fischer.

Em nota: Todo 18 de fevereiro celebra-se o Dia Internacional da Síndrome de Asperger, data escolhida pelo aniversário de nascimento de Hans Asperger, o pediatra austríaco que deu nome à síndrome. Em 1944, ele publicou um artigo numa revista especializada a respeito de um conjunto de caracterísitcas de um grupo de crianças, que apresentavam algo que as distinguia do autismo propriamente dito. Na década de 1990 prevaleceu a ideia de que se tratava de uma variedade do autismo e um transtorno global do desenvolvimento. Atualmente considera-se um sub-grupo dentro dos transtornos do espectro do autismo (TEA).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Gatos Aspenger


- Portadores de Síndrome de Aspenger, síndrome de espectro Autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo, têm interesses específicos e intensos.

- Gatos são extremamente inteligentes e quando você acha que ele não sabe do que você está falando, espere: ele vai na direção de algum objeto ou lugar que você citou. Seus interesses específicos e intensos são: encher a barriga e fazer o que não deve. E para isso, eles vão se dedicar muito: vão, com certeza, encontrar a ração que você escondeu no fundo da gaveta mais alta de sua cozinha. Ou então, se você a colocou em algum lugar alto, porém visível, Sim! Ele vai pular e alcançar. Pode passar horas observando, mas vai conseguir alcançar. Sobre fazer o que não deve, é dom natural.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

O que nos pediria um autista?

Para refletir: 

O que nos pediria um autista?



1- Ajuda-me a compreender. Organize meu mundo e facilita-me ou antecipa o que vai acontecer. Dá-me ordem, estrutura, e não caos. 
 
  2- Não te angusties comigo, porque me angustio. Respeita meu ritmo. Sempre poderás relacionar-te comigo se compreenderes minhas necessidades e meu modo especial de entender a realidade. Não se deprima, o normal é que avance e me desenvolva cada vez mais.

  3- Não me fale demais, nem demasiado depressa. As palavras são 'ar' que não pesa para ti, mas podem ser uma carga muito pesada para mim. Muitas vezes não são a melhor maneira de relacionar-se comigo.

  4- Como outros filhos, como outros adultos, necessito compartilhar o prazer e gosto de fazer as coisas bem, mesmo que nem sempre consiga. Faz-me saber, de algum modo, quando consigo fazer as coisas bem e ajuda-me a fazê-las sem erros. Quando faço muitos erros, pode ser que me irrite, e acabe por me negar a fazer as coisas.

  5- Necessito de mais ordem do que você necessita, mais previsibilidade do que você requer. Teremos que negociar alguns rituais para conviver.

  6- É difícil compreender o sentido de muitas das coisas que me pedem para fazer. Ajuda-me a entendê-las. Peça-me coisas que podem ter um sentido concreto e decifre-as para mim. Não permitas que me acomode nem permaneça inativo.

  7- Não me invadas excessivamente. Às vezes, as pessoas são muito imprevisíveis, demasiadamente ruidosas, demasiadamente estimulantes. Respeita as distancias de que necessito, porém nunca me deixe só.

  8- O que faço não é contra você. Quando tenho uma zanga ou me golpeio, quando destruo algo ou me movimento em excesso, quando me é difícil atender ou fazer o que me pedes, não estou querendo te prejudicar. Não me atribua más intenções!

  9- Meu desenvolvimento não é absurdo, embora não seja fácil de entender. Ele tem sua própria lógica e muitas das condutas que chamam de 'alteradas' são formas de enfrentar o mundo na minha especial forma de ser e perceber. Faça um esforço para me compreender.

  10- Para mim, as outras pessoas são demasiadamente complicadas. Meu mundo não é complexo e fechado. É simples. Embora te pareça estranho o que te digo, meu mundo é tão aberto, tão sem dissimulações e sem mentiras, tão ingenuamente expostas aos demais, que é difícil penetrarmos nele. Não vivo em uma 'fortaleza vazia', nem em uma planície tão aberta que possa parecer inacessível. Tenho muito menos complicações do que as pessoas consideradas normais.

  11- Não me peças sempre as mesmas coisas nem me exijas as mesmas rotinas. Não tens que te fazer autista para me ajudar. O autista sou eu, não você!

  12- Não sou só autista. Também sou uma criança, um adolescente, ou um adulto. Compartilho muitas coisas das crianças, adolescentes ou adultos ditos 'normais'. Gosto de jogar e de me divertir. Quero os meus pais e as pessoas que me cercam e me sinto satisfeito quando faço as coisas bem. É aquilo que compartilhamos que nos une.

  13- Vale a pena viver comigo. Poço dar-lhe tantas satisfações quanto outras pessoas, embora não sejam as mesmas. Pode chegar um momento em sua vida em que eu, que sou autista, seja sua maior e melhor companhia.

  14- Não me agridas quimicamente. Se te dizem que tenho que tomar um medicamento, providencie que seja revisado periodicamente por um especialista.

  15- Nem meus pais nem eu temos a culpa do que se passa. Tão pouco a têm os profissionais que me ajudam. Não serve de nada que os culpe. Às vezes, minhas reações e condutas podem ser difíceis de compreender ou afrontar, porém não é culpa de ninguém. A idéia de 'culpa' não produz mais que sofrimento em relação ao meu problema.

  16- Não me peças constantemente coisas acima do que sou capaz de fazer. Porém peça-me o que posso fazer. Dá-me ajuda para ser mais autônomo, para compreender melhor, porém não me dê ajuda demais.
(Angel Rivière)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Turma da Mônica e o Autismo

Sou apaixonada pela Turma da Mônica e pela arte do Maurício de Souza. Meu sonho é, um dia, trabalhar desenhando para ele. Enquanto esse dia não chega, partilho com vocês a campanha de conscientização do Autismo que sua equipe fez. Ficou perfeito, claro! Apreciem:



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Gatos x Autistas

A Páscoa do Autista




Os autistas fazem de conta que você não existe, às vezes. Pelo menos no mundo dele, naquele momento - e você até pode ter chamado a atenção dele - ele não quer que você faça parte. Você pode ficar dias, semanas e meses sem vê-lo. Ele não vai fazer muito esforço para te receber. E é necessário respeitar.
Os gatos jamais assumirão que você faz falta. Você dificilmente irá surpreendê-lo, a não ser que seu pote de ração esteja vazio ou seu leitinho tenha acabado. O que podem fazer é reclamar, do seu jeito, caso tenham sentido uma porcentagem de abandono. Ah, você pode passar dias, semanas e meses sem vê-lo. A expressão será a mesma: não fará muito esforço para te receber. Não tem outra opção: respeite!

Os autistas parecem não sentir dor quando caem, ralam o joelho, batem a cabeça ou algum machucado em alguma brincadeira.
Os gatos são valentes. Se machucarem, pode doer, sangrar, mas eles não vão se deixar abalar. Vai curar e você não vai nem ter conseguido examinar o probleminha. Ou problemão. Na verdade eles nos consideram uns exagerados.

Depois de um mês e meio sem ver minha família na serra catarinense, cheguei em Curitibanos e, claro, ele estava lá. A minha irmãzinha, quando me viu, correu, num salto, e agarrou minha cintura, dizendo "que bom que você chegou, dindinha". Ele não. Quando eu chamei, ele veio, porque realmente passei muito tempo fora e como somos muito amigos, ele até denunciou um pouco de saudade e ficou intrigado do porque da demora. Olhou, sério, disse "Oi dindinha, você demorou pra voltar pra casa", 'Quando você vai pra Cresciúma de novo?", perguntou, não me expulsando de casa, mas para tirar a dúvida que questionou logo em seguida, "você vai me levar pra Cresciúma no sábado?". E ficou ali, por um instante, me observando com aquele olho verde. Me deu um abraço. Com o Maikel ele foi indiferente. O Maikel é parceiro de bagunça, mas não chega ao ponto de permitir que ele entre em sua intimidade. Inclusive com esse parceiro ele aprontou muito ao decorrer desses dias. Caiu, machucou, ficou com hematomas, bateu a cabeça, escorregou muitas vezes, correu muito. Não sentiu cansaço, nem dor. Coisa muita autista. Me falou um pouco sobre as gatas, apontando para a Queridinha, que estava lá, para me receber. Tão preocupada e intrigada quanto o Gregory, mas não creio que ela quisesse ir a Criciúma. Apenas miou e saiu. Então o meu autista preferido perguntou pelo gato, o que havia ficado em Criciúma.


Ficou em uma casa, que acolheu ele na Páscoa, que, para nós, durou 4 dias, tamanho da minha viagem. Não sei se ele gostou, mas deve ter sido mais interessante que ficar trancado em um quarto. Resultado da Páscoa: um machucado na barriga, que será um eterno segredo de como conseguiu, já que não pode falar e ninguém, até eu ver, tinha reparado. Não sente dor; come e brinca como antes. Coisa muito autista. Um enigma. E quando cheguei, no domingo a noite, para irmos para nossa casinha, nenhum sinal de que sentiu minha falta. Ingrato. Nem me olhou no rosto, nem miou. Ingrato.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os gatos

As atitudes autistas dos felinos

"Nem sei o que sou capaz de fazer se você me tocar!"
Alguns autistas não fixam olho no olho; sabem que estão sendo solicitados, mas fingem não ouvir. 
Os gatos fazem questão de não olhar nos seus olhos - e em você inteiro - quando estão sendo chamados. "Quem ela pensa que é para me chamar assim a atenção?".






Alguns autistas têm movimentos estereotipados; isto é, repetidos, sempre iguais.
A fórmula de todos os gatos é a mesma: viu algo que atraiu sua atenção, encurvou todo o corpo para cima, fixou o olhar (nada nesse mundo tira a atenção dele naquele instante), abaixou, tremeu o corpo (alguns até "dizem" alguma coisa, um ronronado diferente) e.. Ataque!

Alguns autistas têm dificuldade de relacionamento com as outras pessoas.
Um gato acredita que todos têm dificuldade de relacionamento com ele por causa da sua superioridade. "É difícil conhecer alguém como eu".


Os autistas têm momentos de extrema hiperatividade e inatividade.
Os gatos têm seus horários: durante o dia, ficam inertes em qualquer lugar: assoalho, cama, telhado, cadeira, mesa, geladeira... Durante a noite sofrem algum tipo de reação (mistura de gato+lua) que os deixam muito ativos. Extremamente ligados. Enlouquecidamente acordados. Socorro!












* Quando dizemos "alguns autistas", significa que nem todos os autistas possuem os mesmos comportamentos. Isso pode variar, mas não significa que são mais ou menos autistas. As variações de comportamento alteram o tipo de diagnóstico de autismo. Dessas características, por exemplo, meu irmão não tem mais dificuldade de relacionamento, graças ao belo trabalho da Apae, escola e, claro, a família. Já os movimentos estereotipados, ele começou agora. Girar as mãos e abrir e fechar / movimentar o corpo para frente e para trás. 

domingo, 1 de abril de 2012

Os autistas - dia especial


Poema de um autista
Ame-me,
Por favor
Como eu sou…
Ame-me
Como você
Gostaria que eu fosse.
Quem me concebeu…
Não imaginou
Que seria assim tão duro…
Entender que vim autista.
Mas ame-me
Fale-me desse amor
Mesmo que eu não pareça entender
Mesmo que eu fuja e me refugie
Busque-me não deixe eu me perder…
Ame-me…
Como se visse em mim
A imagem e semelhança de ti
No espelho das águas…
Não se importe
Com minha falta de compreensão
Treine-me para entender o mundo
Mas acima de tudo
Ame-me…
Como se eu tudo entendesse
Como se eu não fosse um peso
Demonstre seu amor
Mesmo que eu não saiba
O significado da palavra…
Deus, eu posso sentir…
E creia que em meus sonhos
Eu te vejo e te amo…
Não me negue esse amor
Que enxerga além da matéria
Pois é dele que necessito…
E se nas horas que de ti eu exijo demais
Mesmo nas dúvidas constantes
Aquelas que você às vezes tem vontade de desistir
Por favor, não desista, mas Ame-me….
 
Autora: Liê Ribeiro,mãe do Gabriel Gustavo, que está autista

Os gatos

Gatos são inteligentes?

 É muito comum proprietários de cães e de gatos tentarem argumentar a favor da inteligência do animal predileto deles. Neste artigo, Alexandre Rossi descreve os principais argumentos usados e procura explicar o que se conhece a respeito da inteligência dos gatos e por que é tão complexo compará-la com a de outras espécies

O ser humano é considerado - por nós, é claro - o animal mais inteligente do planeta. Talvez por isso muita gente quer saber se este ou aquele bicho é inteligente e se é mais ou menos inteligente que outros. Por mais simples que a pergunta possa parecer, a resposta é complexa e quase impossível de ser dada.
A maioria das pessoas sabe o que é inteligência, mas pouquíssimas conseguem defini-la. A tarefa não é fácil até mesmo para quem estuda psicologia. Mas, de maneira geral, a inteligência está relacionada a algumas capacidades cerebrais (cognitivas) como memória, capacidade e velocidade de processamento (respostas), insight, capacidade de observar e relacionar, de aprender e de reter o aprendizado.
Gatos demonstram todas essas capacidades. São, portanto, inteligentes. Mas, como ocorre com outros animais, alguns gatos são muito mais inteligentes que outros. A inteligência do seu gato vai depender da genética e da criação dele. Gatos filhos de pais inteligentes tendem a ser mais inteligentes, assim como acontece com gatos que foram corretamente alimentados e bastante estimulados, principalmente quando filhotes e na juventude. Vamos agora para as perguntas e argumentos dos proprietários de gatos.
O gato não se submete a ordens, por isso é mais inteligente
É verdade que obedecer não é necessariamente um sinal de inteligência. Mas não obedecer também não é. Cães possuem uma predisposição natural para mandar ou ser mandados, já que evoluíram por muito tempo como membros de um grupo em que  a hierarquia era fundamental. Se não se submetessem ao líder, poderiam ser expulsos do grupo e até morrer de fome. Com os gatos a situação é bem diferente. São caçadores solitários natos. Nunca dependeram de outros gatos para caçar suas presas. Não precisavam, portanto, se submeter para sobreviver.
Conclusão: não devemos esperar que os gatos acatem ordens da mesma maneira que os cães. Não por um ser mais inteligente que o outro, mas, sim, porque um precisa constantemente da nossa aprovação, enquanto o outro, não.

Meu gato sabe até onde o cão do vizinho alcança e se aproveita

Alguns gatos ficam deitados ou se limpam, relaxados, próximo a cães loucos para atacá-los, mas que não conseguem fazê-lo por causa de uma grade ou muro que impede a aproximação. Como o gato consegue saber exatamente até onde um cão consegue chegar e aproveitar-se disso? Ele tem excelente noção espacial além de ótima memória e é capaz de aprender diversas coisas por observação. Quando está relaxado sobre um muro e olha para o cão, descobre o comportamento do inimigo e até aonde este consegue chegar.
De tão esperto, tem um miado para cada situação
O gato também aprende a manipular seus donos! Proprietários que convivem intensamente com gatos percebem necessidades de seus felinos com bastante facilidade, a ponto de conseguir interpretar miados diferentes e associá-los a diferentes pedidos. O interessante é que essa comunicação se desenvolve à medida que o gato e o ser humano se conhecem melhor e aperfeiçoam a “linguagem”.
Deslocamento oculto e permanência de objetos
Existem diversos testes de inteligência que podem ser aplicados em animais. Dois deles, muito famosos, dizem respeito à capacidade de o animal e o ser humano (bebês e crianças) entenderem que um objeto, ao passar por trás de uma barreira, não desaparece - está simplesmente atrás de alguma coisa. Os gatos possuem essa capacidade, pois demonstram interesse em ir procurar o objeto atrás da barreira, assim que ele deixa de ser visível. Os cães também passam nesse teste.
Mas o gato se sai bem melhor que o cão no teste de deslocamento oculto, no qual é avaliada a capacidade de prever onde um objeto em movimento uniforme aparecerá após passar por trás de uma barreira. Isso é feito pela observação da direção do olhar do animal enquanto uma bolinha passa por trás de uma caixa de papelão, por exemplo. A maioria dos gatos é aprovada no teste: consegue prever o contínuo deslocamento do objeto, pois olha exatamente para o ponto onde a bolinha irá aparecer. Já a maioria dos cães fica olhando para o local onde a bolinha desapareceu...

Revista Cães & Cia, n. 331, dezembro de 2006

quinta-feira, 29 de março de 2012

Os autistas

Crianças com autismo têm mais neurônios do que a média, diz estudo

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Crianças com autismo têm mais neurônios e um cérebro mais pesado do que a média, aponta uma pesquisa publicada pela "JAMA", revista da Associação Médica Norte-americana. Foi um estudo pequeno e preliminar, mas a diferença encontrada é significativa.
Em média, os autistas têm 67% mais neurônios do que as outras crianças no córtex pré-frontal. Essa região do cérebro está ligada ao desenvolvimento social, emocional, comunicativo e cognitivo, áreas comprometidas pelas doenças do espectro autista.
“Portanto, o conhecimento da base neural do crescimento exagerado do cérebro poderia apontar os mecanismos que causam o autismo e esclarecer as falhas funcionais neurais que dão origem aos sintomas”, afirma o artigo assinado por Eric Courchesne, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA.
O estudo foi feito com cérebros de cadáveres de meninos com entre dois e 16 anos. Dos 13 indivíduos selecionados, sete eram autistas e outros seis não – o chamado grupo controle. Os anatomistas fizeram a análise e apresentaram os resultados com a quantidade de neurônios e tamanho dos cérebros sem saber o diagnóstico de cada um.
Além do número de neurônios, a massa do cérebro também mostrou uma grande diferença. Segundo os dados obtidos, o cérebro dos autistas é 17,6% mais pesado que a média geral. Entre os membros do grupo controle, a diferença é de apenas 0,2%.
“Nossa amostra de crianças autistas não foi grande para estudar estatisticamente a relação entre cérebro e comportamento. Futuros estudos com muito mais casos podem revelar relações importantes entre a contagem de neurônios e a severidade dos sintomas”, escreve o Courchesne.
Segundo os autores, esse é o primeiro estudo que testa quantitativamente a teoria de que o excesso de neurônios está ligado ao autismo.
Fonte: G1